sábado, 12 de maio de 2012

Humor Jornalístico dos anos 20


Este divertido excerto  foi retirado do jornal Notícias de Pinhel de 5 de Março de 1923 e ilustra a opinião acerca do lobo típica destes tempos. Ainda que na actualidade esta espécie não seja vista com bons olhos pela maioria dos populares, verificou-se uma evolução notória na abordagem da imprensa a este animal (que recolhe progressivamente mais simpatizantes e apoiantes). As "feras" e os "feroses carnívoros" são expressões que felizmente caíram em desuso, tendo sido substituídas por "predadores de topo", "espécie ameaçada" entre outras. Estas últimas, sem exageros ou fantasias, baseiam-se em conceitos científicos de Ecologia e Conservação da Natureza que forçosamente retratam este animal de uma forma mais isenta e assertiva.

domingo, 6 de maio de 2012

A Lua e o uivo do Lobo




Esta noite fomos presenteados por uma lua cheia especialmente forte que certamente iluminou o caminho de muitos lobos no nosso país. A associação da lua cheia ao uivo do lobo faz parte do imaginário popular, um símbolo de mistério que poderá ter uma explicação bem prática e nada mística. As antigas ligações a pé entre aldeias, realizadas durante a noite por serras e florestas, seriam ocasiões propícias à criação deste mito. Estas caminhadas seriam feitas preferencialmente em noites de luar forte por motivos de segurança e orientação, fazendo com que mais gente estivesse na serra e aumentasse a probabilidade de se encontrar um lobo por perto. Por este motivo o uivo, um método de comunicação intraespecífico muito frequente e distintivo, ficaria definitivamente associado a esta fase da lua, embora possa acontecer nas suas diversas fases e em diferentes períodos circadianos
Esta é apenas uma hipótese de explicação, se conhece ou sugere outra partilhe-a connosco.

Mito ou não,  um lobo a uivar ao luar é uma imagem que ainda nos fascina e permanece como um símbolo da natureza desconhecida. Esperemos que se tenha feito escutar algures por terras raianas.

sábado, 5 de maio de 2012

Malcata: lince no rasto de um lobo



O desaparecimento do Lince-ibérico (Lynx pardinus) dos matagais da Reserva Natural da Serra da Malcata (RNSM) provocou uma "depressão" ecoturística e mediática do (ainda muito rico e assinalável) património natural desta Área Protegida. Este fenómeno desfavoreceu largamente os concelhos raianos de Penamacor e Sabugal,  região onde a espécie sempre foi a alma e o símbolo das suas suaves serranias. Infelizmente, por motivos variados, o regresso deste felino pode ainda tardar uns anos largos, mais do que as gentes e a reserva mereciam. 
Consideramos que o regresso e estabilidade de um núcleo lupino na RNSM e respectiva área de influência é actualmente possível e desejável considerando as vertentes ecológicas e turísticas locais. O lobo, não tendo obviamente o mesmo valor emocional que o lince na região, é por si só uma espécie emblemática que sempre esteve presente na reserva e freguesias circundantes. É uma bandeira ambiental e turística que agora pode e deve regressar. Adicionalmente, a presença de um núcleo lupino estável poderá criar condições de habitat favoráveis ao regresso do lince, nomeadamente no que respeita à disponibilidade de coelho-bravo, classe-presa preferencial do super selectivo lince. O lobo, se presente, poderá controlar os efectivos de pequenos carnívoros consumidores de coelho (como a raposa) e "desbastar" as altas densidades de javali, espécie que pela sua ecologia e comportamento pode ter impacto negativo na reprodução desta espécie-presa.
Actualmente existem condições ecológicas suficientes para "acolher" o lobo na RNSM: o corço está presente na região Centro/Norte da Reserva e zonas limítrofes, a presença de veado (apesar de extremamente irregular) já foi detectada na faixa Centro/Sul e o javali abunda em toda a área protegida.
Todos estes factores fazem-nos pensar que o regresso do lobo à Malcata seria positivo para a população lupina a sul do Rio Douro, para o lince, para a reserva e, em última análise, para toda uma região. 
Salvemos o lobo, o lince e a Serra da Malcata.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

A problemática das armadilhas ilegais

Jovem lobo macho recolhido pelo Núcleo de Protecção Ambiental da GNR, concelho de Montalegre. 

Neste caso muito recente (22 de Abril) o desfecho foi positivo e este animal foi recolhido para posterior recuperação. Infelizmente em muito maior número serão os casos em que os caçadores furtivos capturam com sucesso javalis e outras espécies de forma ilegal, infligindo horas de absoluta agonia aos animais. Os laços são armadilhas ilegais não selectivas, maioritariamente direccionadas a javalis, mas que podem capturar lobos, corços e outras espécie de fauna silvestre, constituindo um importante factor de mortalidade de fauna. São arames ou cabos de aço montados estrategicamente em locais de passagem de animais, que ao passarem ficam presos nos mesmos. Na luta para escapar, activam o nó de correr, acabando por aumentar a pressão exercida  pelo arame e impedindo progressivamente a sua libertação.

Na execução do projecto já localizámos 2 armadilhas deste tipo montadas e uma já desactivada. Em zonas como a Beira Raiana, onde se registam altas densidades de javali, é expectável a ocorrência de elevadas quantidades de armadilhas do género que podem constituir uma fortíssima barreira à recuperação de um núcleo lupino já por si muito precário.

Se encontrar um "laço" montado ou desactivado ou um animal silvestre capturado desta forma denuncie e contacte - SOS Ambiente e Território - TEL: 808200520.

A dispersão e o mito das largadas de lobos II




Como já foi referido num post anterior, o mito das largadas de lobos realizadas por "ambientalistas" encontra-se profundamente enraizado no actual meio rural português, sobretudo nas regiões com presença estável de lobo e nas áreas em início de processo de recolonização da espécie. Neste último caso, os populares não conseguem explicar o retorno repentino de lobos a uma zona onde "já não se viam há mais de 50 anos!". Consideramos que esta desinformação deve ser combatida a todo o custo e como tal plenamente merecedora de um segundo post. 
O mapa apresentado (http://www.volkovi.si/) revela um exemplo extremo de dispersão de um jovem lobo macho esloveno equipado com colar GPS que, tendo percorrido mais de 800Km, partiu do seu país de origem, cruzou a Áustria e chegou a Itália, onde se encontra actualmente (os últimos dados apontam para a sua possível fixação e associação a uma fêmea). Este tipo de deslocações de grande amplitude podem explicar o regresso inesperado de lobos a uma região onde já não eram vistos há muito, confundindo os populares e motivando explicações variadas assentes no desconhecimento da biologia e ecologia da espécie.
Como o Slavc, lobos dispersantes portugueses ou espanhóis que abandonem a sua alcateia natal em busca de novos territórios para se estabelecer e reproduzir, podem ser a chave para a recuperação da Beira Raiana enquanto região lobeira. Para que estes fenómenos ocorram, é fundamental a existência de corredores ecológicos de qualidade que potenciem a conectividade desta região com núcleos lupinos mais estáveis.

Cães, Pastores e Lobos



Tivemos o prazer de assistir no Sabugal à exposição cujo cartaz anexámos a este post e gostaríamos de partilhar algumas notas sobre o cão de gado, a pastorícia e como esta cultura foi moldada pela presença de grandes predadores como o lobo.
No nosso país é possível encontrar um vasto património, material e imaterial, relacionado com o lobo - fojos, lendas, folclore, entre outros - no entanto, para além destes testemunhos históricos, existe um legado vivo, fruto da relação ancestral do predador com o Homem: o cão de gado.
Portugal, sendo um país de dimensões reduzidas, possui um número invejável de cães de gado: 4 raças  reconhecidas pelo Clube Português de Canicultura - Cão da Serra da Estrela, Cão de Castro Laboreiro, Cão de Gado Transmontano e Rafeiro do Alentejo - todas seleccionadas pela sua aptidão na defesa dos rebanhos. A presença do lobo contribuiu decisivamente para o aparecimento destas raças e moldou o dia-a-dia dos pastores, enriquecendo de forma única a cultura ligada à pastorícia. O imaginário que todos nós partilhamos, e alguns ainda têm o privilégio de assistir, o pastor a guardar o seu rebanho com cães imponentes, ostentando grandes coleiras de puas, só é possível dentro de uma paisagem cultural partilhada com o lobo. Conservar o lobo é também preservar a cultura ancestral da pastorícia.
Para mais informações acerca dos cães de gado e do projecto desenvolvido pelo Grupo Lobo na doação de cães a pastores consulte este link.

terça-feira, 27 de março de 2012

Proposta Espanhola de caça a Sul do Douro chumbada


Numa tentativa de legalizar a caça ao lobo a Sul do Douro sem dados científicos que corroborem a sua posição, Arias Cañete (Ministro do Meio Ambiente de Espanha) viu a sua proposta de retirar a protecção ao Lobo a Sul do Douro ser chumbada pelo Comissário Europeu para o Ambiente, Janez Potocnik. Congratulamo-nos com a tomada de posição do Comissário e julgamos que esta irá contribuir para a conservação do lobo a Sul do Douro.

sábado, 24 de março de 2012

Boas notícias



Um lobo! Apesar da sua reduzida qualidade, esta imagem captada na região Oeste do Concelho de Almeida reforça a esperança na recuperação desta espécie tão emblemática da Beira Raiana.

Os "Bosques" de Giesta



As densas formações arbustivas de giesta constituem zonas de refúgio preferencial para diversas espécies esquivas, como o javali, a raposa e o lobo. Neste caso, um conhecido e pouco esquivo exemplar de C. familiaris  parece pequeno perante um assinalável e imponente giestal raiano.