quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
O fim da época das batidas e montarias
Com a chegada do final do mês de Fevereiro termina a época das batidas à raposa e montarias ao javali. O cessar destes actos venatórios extremamente invasivos e com elevada perturbação associada, pode significar para o lobo uma retoma de tranquilidade em zonas de refúgio por ele regularmente utilizadas.
Este factor torna-se ainda mais relevante quando nos encontramos em pleno período de acasalamento da espécie (Fevereiro-Março).Os cães das matilhas perdidos ou fora de controle que permanecem no terreno podem também constituir uma ameaça à conservação do lobo por competirem directamente com este e poderem causar prejuízos na pecuária que erradamente lhe são atribuídos.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
A seca e a conservação do lobo
A falta de água nos campos e os consequentes custos associados à necessidade de alimentar artificialmente os animais em produção extensiva poderão também ser prejudiciais à conservação do lobo. Já se detecta em alguns proprietários uma diminuição de disponibilidade para lidar pacientemente com reais ou eventuais prejuízos na pecuária atribuíveis ao lobo. Este efeito cumulativo poderá afectar em última análise esta espécie que, como é sabido, depende em larga escala da tolerância Humana para subsistir.
Esperemos que a chuva volte e depressa. Para os agricultores e para o lobo.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Projecto Lobo na Raia na Feira de Caça, Pesca e Desenvolvimento Rural de Almeida
Gostaríamos de agradecer à CM de Almeida a oportunidade de participação neste evento e felicitar a excelente organização. Continuaremos a trabalhar para a recuperação do lobo no Concelho e para a sua coexistência com o sector pecuário local. Obrigado a todos os participantes e em particular aos interessados no stand do projecto.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
O Lobo e a Caça
Estamos nos preparativos para a Feira de Caça e Pesca e Desenvolvimento Rural http://www.cm-almeida.pt/municipio/agendadomunicipio/Documents/cartaz_pesca_2012.pdf a realizar este fim-de-semana em Vilar Formoso. Esperamos poder divulgar o projecto e os seus objectivos junto da comunidade de caçadores e restante público.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
O mito das largadas de lobos
Não é igual aos de antigamente? (Raia, 2011)
Afirmações como "vocês é que os andam por aí a largar"ou "os do Ambiente andam a soltar lobos" ou ainda "estes lobos de agora não são dos verdadeiros, não são como os de antigamente" fazem parte da nossa rotina diária. Esta grave e disseminada desinformação, não ajuda nem os profissionais de Conservação da Natureza nem, em última análise, a recuperação do lobo. Aproveitamos então a oportunidade de divulgação deste blogue para informar que:
1 - Nem o Estado nem associações de conservação da Natureza realizam ou realizaram no passado acções de reintrodução de lobos (exemplares de lobo ibérico). Não se realizam nem NUNCA se realizaram largadas de lobos.
2 - Os lobos da actualidade são IDÊNTICOS aos lobos de antigamente. É normal que o lobo volte a habitar zonas onde deixou de existir nas últimas décadas, por agora se verificarem condições favoráveis à sua presença (maior disponibilidade de alimento e refúgio e menor mortalidade causada pelo Homem). Esta recolonização é natural e não é feita através da colocação de lobos nascidos ou criados em cativeiro. Os lobos selvagens, "corredores de fundo", podem percorrer grandes distâncias e ocupar novos territórios bastante distantes do seu local de nascimento.
Esperamos ter contribuído para o esclarecimento desta situação. Oxalá este texto corra tão rapidamente pelas bocas do povo como a desinformação que diariamente nos bate à porta.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Para que servem lobos, ursos e outros que tais??
Durante o nosso trabalho e até no nosso círculo pessoal somos frequentemente questionados acerca da utilidade de animais selvagens que aparentemente pouco ou nada nos podem beneficiar. Por este motivo lembrámo-nos de divulgar este filme espanhol que, de uma forma altamente cómica e pedagógica, responde à pergunta: ¿Para qué sirve un oso?. Tendo as Asturias como pano de fundo e o Urso-pardo como exemplo, são explicados diversos motivos pelos quais importa conservar os grandes carnívoros ameaçados, incluindo o lobo e o lince. Em posteriores posts iremos analisar e discutir em detalhe os benefícios da presença deste canídeo nos ecossistemas ibéricos.
domingo, 29 de janeiro de 2012
O regresso do corço
O corço, outrora uma espécie com distribuição restrita a algumas zonas montanhosas a Norte do Douro, pode hoje ser encontrado com um pouco de sorte no planalto raiano a Sul deste rio.
Neste vídeo observamos um macho em plena actividade matinal numa zona de carvalhal incluída na vasta mancha que se estende entre Vilar Formoso e Sabugal - Sítio Rede Natura 2000. As condições de habitat e a diversidade de ungulados selvagens podem ser relevantes para a recuperação do lobo na região, criando novas opções tróficas e possibilitando a diminuição do conflito com os criadores de gado.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Uma Presença muito antiga
Desde tempos remotos o Homem utiliza a toponímia para designar locais e para se orientar no espaço que o rodeia. Os zoónimos são muito frequentes na cartografia Portuguesa, servindo como um autêntico testemunho histórico da presença de espécies. Os locais em que o Lobo ocorria foram cunhados pelas populações locais, recordando aos mais esquecidos que a Raia foi desde sempre uma terra lobeira.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
O Blog e o Projecto
O Projecto Lobo na Raia surgiu da necessidade de actualizar o conhecimento acerca do lobo nesta região e desenvolver esforços para a sua recuperação. Este carnívoro, outrora comum no planalto raiano, existe actualmente apenas em baixíssimas densidades, fruto de uma longa perseguição Humana.
Consideramos que a provável recolonização natural do lobo, forte emblema do Património Natural local, deverá ser apoiada de forma sustentável e tendo em conta a dinâmica social envolvente. A recuperação desta espécie irá enriquecer ambiental e culturalmente o território, favorecendo-o ecologicamente e tornando-o ainda mais apelativo de um ponto de vista ecoturístico. A presença e estabilidade do núcleo lupino fronteiriço (Figueira de Castelo Rodrigo – Sabugal) é fundamental para a recuperação e conservação a médio-longo prazo da sub-população ibérica de lobo a Sul do Douro. Esta região poderá funcionar estrategicamente como uma ponte de conectividade entre os núcleos portugueses e espanhóis a sul deste rio.
Este blog pretende divulgar o património Natural e Cultural da Raia, o lobo e diversas acções levadas a cabo durante a execução do projecto.
O Projecto Lobo na Raia resulta de uma parceria Grupo Lobo/Zoo Logical, colabora directamente com o ICNB e é apoiado pela Fundação Vox Populi.
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