segunda-feira, 30 de abril de 2012

A dispersão e o mito das largadas de lobos II




Como já foi referido num post anterior, o mito das largadas de lobos realizadas por "ambientalistas" encontra-se profundamente enraizado no actual meio rural português, sobretudo nas regiões com presença estável de lobo e nas áreas em início de processo de recolonização da espécie. Neste último caso, os populares não conseguem explicar o retorno repentino de lobos a uma zona onde "já não se viam há mais de 50 anos!". Consideramos que esta desinformação deve ser combatida a todo o custo e como tal plenamente merecedora de um segundo post. 
O mapa apresentado (http://www.volkovi.si/) revela um exemplo extremo de dispersão de um jovem lobo macho esloveno equipado com colar GPS que, tendo percorrido mais de 800Km, partiu do seu país de origem, cruzou a Áustria e chegou a Itália, onde se encontra actualmente (os últimos dados apontam para a sua possível fixação e associação a uma fêmea). Este tipo de deslocações de grande amplitude podem explicar o regresso inesperado de lobos a uma região onde já não eram vistos há muito, confundindo os populares e motivando explicações variadas assentes no desconhecimento da biologia e ecologia da espécie.
Como o Slavc, lobos dispersantes portugueses ou espanhóis que abandonem a sua alcateia natal em busca de novos territórios para se estabelecer e reproduzir, podem ser a chave para a recuperação da Beira Raiana enquanto região lobeira. Para que estes fenómenos ocorram, é fundamental a existência de corredores ecológicos de qualidade que potenciem a conectividade desta região com núcleos lupinos mais estáveis.

Cães, Pastores e Lobos



Tivemos o prazer de assistir no Sabugal à exposição cujo cartaz anexámos a este post e gostaríamos de partilhar algumas notas sobre o cão de gado, a pastorícia e como esta cultura foi moldada pela presença de grandes predadores como o lobo.
No nosso país é possível encontrar um vasto património, material e imaterial, relacionado com o lobo - fojos, lendas, folclore, entre outros - no entanto, para além destes testemunhos históricos, existe um legado vivo, fruto da relação ancestral do predador com o Homem: o cão de gado.
Portugal, sendo um país de dimensões reduzidas, possui um número invejável de cães de gado: 4 raças  reconhecidas pelo Clube Português de Canicultura - Cão da Serra da Estrela, Cão de Castro Laboreiro, Cão de Gado Transmontano e Rafeiro do Alentejo - todas seleccionadas pela sua aptidão na defesa dos rebanhos. A presença do lobo contribuiu decisivamente para o aparecimento destas raças e moldou o dia-a-dia dos pastores, enriquecendo de forma única a cultura ligada à pastorícia. O imaginário que todos nós partilhamos, e alguns ainda têm o privilégio de assistir, o pastor a guardar o seu rebanho com cães imponentes, ostentando grandes coleiras de puas, só é possível dentro de uma paisagem cultural partilhada com o lobo. Conservar o lobo é também preservar a cultura ancestral da pastorícia.
Para mais informações acerca dos cães de gado e do projecto desenvolvido pelo Grupo Lobo na doação de cães a pastores consulte este link.

terça-feira, 27 de março de 2012

Proposta Espanhola de caça a Sul do Douro chumbada


Numa tentativa de legalizar a caça ao lobo a Sul do Douro sem dados científicos que corroborem a sua posição, Arias Cañete (Ministro do Meio Ambiente de Espanha) viu a sua proposta de retirar a protecção ao Lobo a Sul do Douro ser chumbada pelo Comissário Europeu para o Ambiente, Janez Potocnik. Congratulamo-nos com a tomada de posição do Comissário e julgamos que esta irá contribuir para a conservação do lobo a Sul do Douro.

sábado, 24 de março de 2012

Boas notícias



Um lobo! Apesar da sua reduzida qualidade, esta imagem captada na região Oeste do Concelho de Almeida reforça a esperança na recuperação desta espécie tão emblemática da Beira Raiana.

Os "Bosques" de Giesta



As densas formações arbustivas de giesta constituem zonas de refúgio preferencial para diversas espécies esquivas, como o javali, a raposa e o lobo. Neste caso, um conhecido e pouco esquivo exemplar de C. familiaris  parece pequeno perante um assinalável e imponente giestal raiano.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Mortalidade de Fauna nas estradas


Esta foto mostra um dos inúmeros casos de atropelamento de fauna que diariamente ocorrem nas estradas portuguesas.
Neste caso uma raposa (Vulpes vulpes) sofreu um embate na nacional que liga Vilar Formoso ao Sabugal, uma estrada em que se podem atingir velocidades demasiado elevadas tendo em conta a inexistência de redes e barreiras de fauna. Em pontos negros de mortalidade poderia ser útil a aplicação de medidas de diminuição de velocidade como semáforos e lombas.

terça-feira, 13 de março de 2012

O Lobo e as Aves Necrófagas


Devido à actual escassez de presas selvagens e à ocupação generalizada da paisagem raiana por animais domésticos, o lobo é obrigado a alimentar-se do gado existente, tantas vezes disponível.
Nestas ocasiões, diversas espécies de hábitos necrófagos beneficiam das carcaças deixadas no local dos ataques, aproveitando a sua biomassa e actuando como verdadeiros "agentes de limpeza" do meio. Os grifos (Gyps fulvus) patrulham o território em busca de oportunidades de alimentação, como a que vemos nesta foto recolhida hoje durante o acompanhamento a uma vistoria de um eventual ataque de lobo a ovinos.

História e Ruralidade às Portas de Almeida



quinta-feira, 1 de março de 2012

Projecto Lobo na Raia no curso "Pecuária Extensiva e Fauna Silvestre"




Durante o fim-de-semana estaremos na Universidade de Léon para realizar este curso organizado pela AVAFES que tanto se enquadra na actividade que desenvolvemos por terras raianas. Esperamos trocar contactos, partilhar experiências e recolher informação útil para o projecto.